11/11/2008

Retorno e terno

Comi baião de dois, camarões e tapiocas;
Tomei cajuína, sorvete de cajá e refrigerante de caju
como se fosse gente grande.
Dancei forró
como se eu soubesse fazê-lo.
Apaixonei-me
como se fosse possível.
Voltei à realidade
como se ela fosse razoável.

stoN

08/11/2008

esfarrapadas, velas desfraldadas, desculpas

Em Fortaleza, off line por uns dias...
Camarão com cerveja no Mucuripe...
eu jangadeiro de mim
stoN

06/11/2008

Madruguei

Acordei cedo
Pra ir longe
Pra longe de mim
Anoiteci
Não deu em nada
A latitude me persegue
stoN

05/11/2008

Maciel Antero da Cruz Neto

XV

De frente ao espelho, Maciel pensa no quanto está insatisfeito com o trabalho e com a acelerada calvície que o acomete. Busca uma tesoura na gaveta para aparar os pelos que lhe sobram no ouvido. Nosso herói tem saudade de Alice, de Marta e do cachorro idiota. Como era mesmo o nome dele? Desiste do esforço de tentar se lembrar.
Ganhou a rua e depois de comer um pastel na esquina segue para o shopping. Daniel já deve estar esperando. O cara tem sido um bom companheiro e eles já ficaram algumas vezes. O beijo é sempre melhor, ponderou Maciel descendo do ônibus. Agora que comprou um forno de micro ondas, o intrépido arquiteto se sente um grande “Chef” e pretende fazer um agrado a Daniel com uma lasanha congelada.
Definitivamente, Maciel precisa mudar de vida.
'
FIM
stoN

Globalização

No Quênia houve danças tribais ao redor da fogueira em frente à casa da avó do primeiro presidente negro dos USA. Israel lançou míssil na Faixa de Gaza e teme a perda do apoio da Casa Branca: vários palestinos ficaram feridos. Analistas e governos europeus temem a aproximação de Obama com os árabes. Em plena Belo Horizonte, do topo da minha insignificância, vejo com muito bons olhos esse negão!

04/11/2008

você
não sente a minha falta

'

e eu
sem ti

Martha Medeiros

03/11/2008

Espera

Hora inteira
Meio dia
Canseira
stoN

02/11/2008

Síndrome do louva-deus ou a mera querência de morrer de amor

O arrestei para o quarto e, num desassossego sem igual, beijou-me com tanta sofreguidão que tive a certeza, mais do que absoluta, de que eu merecia morrer naquele momento. Poderia e deveria ser acometido pelo meu último suspiro sentindo o peso do seu corpo sobre mim e a astúcia de sua língua ágil e incisiva. Foi tudo tão efêmero, desencanado e livre que o gosto do beijo ainda está em mim. Minhas mãos ainda guardam o calor delicioso da sua pele. Ele todo, inteiro, com alma e tudo, ainda está em mim. O pensamento não me escapa um só segundo e um sorriso de orelha a orelha teima em não sair de meu rosto. “Como é perversa a juventude do meu coração que só conhece o que é cruel, o que é paixão”.

stoN

Maciel Antero da Cruz Neto

XIV

Já faz duas horas que Maciel perambula pela cidade. Pensa em trocar de emprego que já que o novo está tão ruim quanto trabalhar no escritório de Suzane. Saindo de um bar onde parou para um pastel, encontra-se com Daniel, um velho amigo da faculdade. Depois de milhões de recordações do curso e da festa de formatura, muitas delas impublicáveis, resolvem tomar uma cerveja.
_ Você ainda tem aquela jaqueta de couro marrom? Pergunta Daniel.
_ Uso pouco agora.
_ Menos mal. Aquilo tava um lixo na época da faculdade.
Maciel fica preocupado. Daniel não é a primeira pessoa a criticar seu estilo.
Enquanto a conversa segue animada, assistem a um assalto na esquina. Maciel se assusta muito e pensa que precisa mudar de vida. Seria bom morar numa cidade menor e mais tranqüila.
Combina com Daniel de saírem no fim de semana. Maciel não atende ao telefonema do amigo quando ele liga na sexta. Ele desconfia que o moço esteja a fim de algo mais e Maciel não quer ter nada com homem agora.
stoN

01/11/2008