09/02/2010

É sempre preciso que você fique mais um pouco, tome mais um gole, ceda um pouco mais, fale mais baixo, rubrique esta última folha, compre mais um seguro, morra um pouco mais...
stoN

07/02/2010

Oopa!

Ana é um nome que, desde muito, me persegue. Sempre penso em como deve ser bom ter um nome assim, um breve palíndromo que gaste menos de quatro letras. Deve ser bom se chamar Oto. Melhor ainda é o casal Ana e Oto. Fundarei uma ONG: Organização dos Obcecados por Palíndromos Anônimos.
stoN

06/02/2010

Mais do mesmo

Vieira acordou cedo e nem deu tempo de passar na padaria para tomar o cafezinho habitual. Hoje não terá a lembrança do sorriso discreto de Neuza para lhe distrair durante o dia. A vida deve ser assim mesmo: nem sempre é como a gente quer. Fumou o último cigarro do maço assim que bateu o cartão. Quando ligou a máquina na tornearia, lembrou-se que, na correria, havia deixado o rádio ligado. A conta de energia só faz subir e ele ainda dá uma dessa? Essa preocupação substitui a lembrança do sorriso da mulata o dia todo. Nem tudo é como a gente quer mesmo.
stoN

04/02/2010

The eat is on the work's table


Intransigência marginal

Não me atende
Quer que eu o entenda
Foi autuado
Flagrante delito.
To Gatomário

03/02/2010

“Um dia irmão, comemoraremos a vitória tão esperada. Os que jogaram, os que só torceram na arquibancada. E bêbados de nós mesmos, a mesa coberta com os destroços do combate. Difícil dizer o que é sangue, e o que é molho de tomate. Brindaremos as cadeiras vazias dos que lá não estão. Os fantasmas de uma geração. Um que morreu no exílio e foi devorado por vermes estrangeiros. Um que enlouqueceu um pouco, e tem delírios passageiros. Um que ia mudar o mundo e se mudou. Um que era o melhor de nós e vacilou. Nossa Rosa Luxemburgo que abriu uma botique. Nosso quase Che Guevara, que hoje vive de trambique. Estaremos, você e eu, irmão, e os balões circundarão nossas cabeças, como velhos remorsos. E os garçons olharão para nós, e desejarão a nossa morte. Danem-se as nossas trapalhadas, estivemos nas barricadas. Não temos placas na rua, como heróis da resistência, mas, temos consciência de que os bárbaros não passaram..

Então você dirá:

- Como heróis ? Como não passaram, meu querido não te falaram? Os bárbaros ganharam.”


Luiz Fernando Veríssimo. In: Comédia da vida privada

02/02/2010

De volta

Andei sumido e confuso. Com medo. Sem rumo e sem norte. Amarguei umas poucas e boas, mas já está mais do que provado que: a) Carne de homem não dá pastel: tem que ralar; b) O que não mata fortalece; e C) Só é possível filosofar em alemão. Sendo assim, meus iguais, estou disposto a retomar o PNMP com força, vontade, virulência e, quem sabe, um tiquinho de poesia.
Insurgentes beijos!!!!

Pra Você Guardei o Amor

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar.
'
Nando Reis

02/11/2009

11/10/2009