19/04/2009

Vamos Fazer um Filme

Achei um 3x4 teu e não quis acreditar/ Que tinha sido há tanto tempo atrás/ Um bom exemplo de bondade e respeito/ Do que o verdadeiro amor é capaz/ A minha escola não tem personagem/ A minha escola tem gente de verdade/ Alguém falou do fim-do-mundo, O fim-do-mundo já passou/ Vamos começar de novo: Um por todos, todos por um/ O sistema é mau, mas minha turma é legal/ Viver é foda, morrer é difícil/ Te ver é uma necessidade/ Vamos fazer um filme/ E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."? Sem essa de que: "Estou sozinho."/ Somos muito mais que isso/ Somos pingüim, somos golfinho/ Homem, sereia e beija-flor/ Leão, leoa e leão-marinho/ Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito/ Chega de opressão: Quero viver a minha vida em paz/ Quero um milhão de amigos/ Quero irmãos e irmãs/ Deve de ser cisma minha/ Mas a única maneira ainda/ De imaginar a minha vida/ É vê-la como um musical dos anos trinta/ E no meio de uma depressão/ Te ver e ter beleza e fantasia./ E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."? E hoje em dia, vamos Fazer um filme/ Eu te amo/ Eu te amo/ Eu te amo.
Renato Russo

16/04/2009

09/04/2009

MARÉ BAIXA 06

Arlete acordou cedo, numa ressaca incomensurável e foi levar João Victor à escola. Na volta o mesmo ritual: padaria, sacolão e uma passadinha e banca de revista para comprar cigarros. É uma mulher forte, desencanada e safo. A vida na rua ajuda a deixar as pessoas espertas. Depois do cigarro e do café com pão, voltou pra cama para dormir até a hora de buscar o moleque na escola e ajeitar um pouco a casa. Pensou em como seria bom ter uma companheira com quem pudesse dividir as coisas. Às vezes criar João Victor sozinho lhe era pesado demais. Sentiu-se só e adormeceu mesmo com o barulho da rua.
stoN

05/04/2009

Pequenas bobagens
ou
Aquele que trata da cretinice com parcimônia

Quando ainda havia paixão era mais fácil passar por cima do seu egoísmo exacerbado. Amainado o furor da querência, nem a pose clichê, que tinha certo charme outrora, faz sentido ou graça agora. Era uma pequena bobagem, só isso. O que ressalta ainda em ti, única e tão somente, é mesmo a postura interesseira e aproveitadora, tentando sugar um pouco, por mínimo que seja, do que a situação ainda pode oferecer de benefício pessoal. É puro vampirismo. E é pouco, muito pouco.
As máscaras vão caindo uma a uma, sobrando um monte de mentiras toscas, doentias e descaradas. Hodierno é tão costumeiro você se fazer de sonso que me enfaro de indolência. Era uma pequena bobagem. E eu, roto e desfigurado, insatisfeito no meu não menos egocêntrico território salpicado de defeitos cintilantes, consigo, ao menos, me cercar de temperos e novidades de alcova. Murado de rancor, vergonha e arrependimento de um dia ter posto as vistas em ti, tenho pelo menos o quinhão de minha culpa: fui negligente diante de suas irrefutáveis e recorrentes demonstrações de mau-caratismo.
stoN

Se chovesse você

"Se você fosse lua/ Dormiria contigo na praia/ Entraria contigo no mar/Choraria o teu minguante/ Seguiria o teu crescente/ Habitaria teu luar/ Se você fosse sol/ Eu seria girassol/ Tua luz seria meu farol/ Amaria teu calor/ O teu fogo abrasador/ Queimaria por amor/ Se você fosse vento/ Queria você todo momento/ Pra enrolar meu cabelo/ Levantar a minha blusa/ Arrancar-me um suspiro/ Ser o ar que eu respiro/ Se você fosse chuva/ Eu me deixava molhar de prazer/ Dançava na rua pra ter/ Minha roupa bem molhada/ Minha alma encharcada/ Se chovesse você."
Adonay Pereira, Eliana Printes & Eliakin Rufino

04/04/2009

MARÉ BAIXA 05

A infância de Miguel foi o que se pode chamar de uma meninice normal. Fazia tudo que os outros moleques faziam. Lembrou-se de Ana, sua primeira paixão, menina linda da sexta série que tinha perfume muito bom. Vai ver era do xampu que ela usava. O primeiro carrinho de controle remoto dado pelo tio. Lembranças faziam a tarde parecer mais leve. Sempre que não tinha nada pra fazer, Miguel gastava horas recordando essas coisas, buscando detalhes, chafurdando a memória o máximo possível. Atualmente ele não tem tido tempo para isso. A lembrança do sorriso de Arlete consome todo o tempo livre. E o que não é livre também. Às vezes ele teme estar obcecado.
stoN

03/04/2009


02/04/2009

MARÉ BAIXA 04

Acordou sentindo-se como se não tivesse dormido nem cinco minutos. No banho, Miguel tenta recapitular a noite: horas e mais horas no bar, observando Arlete de longe, cinco doses de rum, duas cervejas, três cachaças e uma dose de vodca da pior espécie. A cabeça parecia não ser dele, pesava muito sobre o pescoço. Na saída pro trabalho, cerca de quarenta minutos depois, teve um medo grande da morte. Medo de morrer da forma mais besta possível. Engasgado com um osso de galinha, ataque do coração catalisado por um choque elétrico, um descuido e já está o crânio estourado no asfalto. Basta um vacilo.
Já na livraria teve que se fazer de forte, vencer o cansaço e a ressaca para dar conta do trabalho. Todavia não se podia dizer que estava infeliz. Pensou no sorriso de Arlete e teve vontade de viver muito mais ainda. Espantou o medo da morte e já era quase hora de bater o cartão. Perguntou a si mesmo se agüentaria mais uma noite de vigília. Não se respondeu.
stoN

Visagem IV

A tristeza dela
É por causa da paixão dele
Eu sou psicopata
E não sei o nome deles.
stoN

01/04/2009

Visagem III

O bonito conversou
Com a menina dos olhos tristes
Ele deve saber o nome dela
Será que ele também sabe o meu nome?
stoN